Gianni Infantino pede desculpas sobre projeto da Copa, mas segue pressionado na Fifa
Membros do Conselho Executivo criticaram a falta de respostas diretas do presidente sobre a tentativa de atrair investidores privados para o torneio.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, esteve reunido nesta quinta-feira com os 37 integrantes do Conselho Executivo da entidade, em Zurique, para prestar esclarecimentos sobre a polêmica proposta de abrir a Copa do Mundo a investidores privados. Embora tenha apresentado um pedido de desculpas durante a sessão, o mandatário não conseguiu aplacar a insatisfação de dirigentes contrários à sua gestão.
O encontro marcou a primeira reunião do conselho desde a crise institucional deflagrada no início do segundo semestre. O plano, conduzido em sigilo, acabou cancelado diante de fortes reações no meio esportivo, gerando inclusive pedidos formais de renúncia por parte da Uefa, da Concacaf e da Confederação Asiática de Futebol (AFC).
Falta de respostas diretas irrita dirigentes
Apesar da retratação pública de Infantino por não ter consultado os membros previamente, representantes de federações importantes manifestaram descontentamento com a postura evasiva do presidente. Ao ser confrontado na reunião, o dirigente solicitou que os questionamentos detalhados fossem formalizados por escrito, em vez de respondê-los no plenário.
A presidente da Associação de Futebol da Inglaterra e vice-presidente da Fifa, Debbie Hewitt, avaliou que o dirigente demonstrou certo arrependimento pela forma da condução, mas cobrou transparência urgente. Para a mandatária britânica, a permanência de Infantino depende de esclarecimentos imediatos sobre o ocorrido.
Na mesma linha, o presidente da Federação Alemã de Futebol, Bernd Neuendorf, declarou que o mandatário não atendeu às expectativas da mesa diretora. Segundo o dirigente germânico, a relação sofreu forte desgaste: "Como eu disse, a confiança nele foi perdida", avaliou o alemão ao defender mudanças na condução do futebol mundial.
Apesar do forte bloco de oposição formado pelas principais entidades continentais, Infantino ainda preserva apoiadores internos. O presidente da federação da Mauritânia, Ahmed Yahya, saiu em defesa da iniciativa que acabou cancelada, afirmando que a busca por investimento visava atender aos interesses da modalidade.
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