Em grave crise financeira, Rio Branco avalia parceria e encara suspeitas de fraude
Clube de Americana lida com recuperação judicial, dívidas de transferências e investigação sobre movimentações bancárias.
Historicamente reconhecido pela formação de atletas para o futebol mundial, o Rio Branco de Americana vive um momento crítico fora de campo. Atualmente na Série A-3 do Campeonato Paulista, a agremiação enfrenta um processo de recuperação judicial com dívidas que alcançam R$ 6,6 milhões. Para não paralisar as atividades esportivas de forma definitiva, a diretoria estuda ceder seus símbolos para a empresa que comanda o futebol do Sertãozinho atuar com sua identidade.
O acordo em pauta prevê que essa gestora dispute a Série A-2 do Paulista utilizando os uniformes e o distintivo do clube de Americana. Paralelamente, o Rio Branco original solicitaria uma licença junto à Federação Paulista de Futebol, medida tratada internamente como a alternativa viável para evitar o encerramento completo das operações esportivas.
Disputa por valores de venda e cobranças na CNRD
A crise se aprofundou com imbróglios envolvendo receitas de transferências. O clube tem valores a receber decorrentes da negociação do lateral Vanderson, vendido pelo Grêmio ao Monaco. O time paulista mantinha 30% dos direitos econômicos por meio de uma parceria com o ex-atacante Sandro Hiroshi, que geria a base e ficou com direito a 70% da fatia. O Grêmio foi condenado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) a quitar R$ 1,9 milhão ao Rio Branco, mas obteve permissão para pagamentos coletivos parcelados.
Além da demora para receber as parcelas, a Justiça acolheu um pedido de liminar feito por Hiroshi para que a porcentagem de sua empresa seja repassada diretamente a ela, impedindo que o montante integral caia na conta da recuperação judicial do clube.
Suspeitas sobre movimentações financeiras
O processo judicial também é marcado por questionamentos de credores e intervenção do Ministério Público sobre supostos atos fraudulentos. Extratos bancários apontaram que quantias depositadas pelo Grêmio foram repassadas quase de imediato para a Manager, empresa que tem como sócio o presidente do clube, Cláudio Bonaldo. Uma auditoria interna foi determinada para checar o fluxo financeiro.
O clube nega irregularidades e afirma que optou por centralizar a administração operacional para reduzir despesas. Paralelamente, a agremiação projeta a comercialização de um imóvel com valor superior a R$ 600 mil com o objetivo de quitar débitos trabalhistas pendentes.

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