Eleição do Tupi é suspensa pela Justiça após improviso com urna de papelão
Processo eleitoral para o Conselho Deliberativo do clube mineiro foi paralisado por falta de transparência e irregularidades.
A eleição para o Conselho Deliberativo do Tupi, tradicional equipe de Juiz de Fora, foi suspensa pela Justiça de Minas Gerais devido a irregularidades no processo. A votação, realizada na sede social da agremiação, chamou a atenção pelas condições improvisadas, incluindo o uso de uma urna feita de caixa de papelão e o registro de atas de votação escritas à mão.
O pleito foi paralisado por volta das 11h36 de 3 de outubro, cerca de duas horas e meia após a abertura dos trabalhos, quando um oficial de Justiça compareceu ao local com uma liminar concedida pelo desembargador Newton Teixeira Carvalho, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Com a ordem, as urnas foram devidamente lacradas e o processo acabou interrompido.
Motivos para a intervenção judicial
A determinação atendeu a um pedido do grupo de oposição liderado por Daniel Oliveira. O principal motivo acolhido pelos magistrados foi a falta de transparência na divulgação da relação de associados aptos a votar e concorrer, documento indispensável para viabilizar a inscrição de uma chapa com dezenas de nomes necessários para o Conselho.
Segundo os autos judiciais, a justificativa apresentada internamente por uma funcionária para a ausência do arquivo foi de que o computador onde os dados ficavam armazenados havia queimado. O desembargador avaliou que a omissão prejudicou a isonomia do pleito e apontou indícios de desrespeito ao estatuto do próprio clube.
Cenário de crise e medidas futuras
A decisão judicial proibiu a contagem de votos, a proclamação de resultados ou qualquer ato de posse, sob pena de multa fixada em R$ 20 mil caso a medida seja desrespeitada. O Tupi atualmente enfrenta grave crise financeira, passa por processo de recuperação judicial e encontra-se inativo nos gramados há dois anos, sem disputar divisões do futebol mineiro.
O presidente da agremiação, Eloísio Pereira de Siqueira, informou que o caso foi repassado ao departamento jurídico: "a gente respeita o judiciário e vamos aguardar para saber qual o procedimento". A oposição, por sua vez, anunciou que recorrerá a novas medidas legais para regularizar a situação interna e garantir a exibição dos cadastros de sócios antes de uma nova convocação.

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