Clubes brasileiros apostam em estrutura para manter hegemonia na Libertadores feminina
Com 14 títulos em 17 edições, equipes do país chegam como favoritas para a disputa continental em Quito
A hegemonia do Brasil na Copa Libertadores feminina volta ao centro das atenções com o início de mais uma edição do torneio continental em Quito, no Equador. Com um histórico expressivo de 14 conquistas em 17 torneios realizados, as equipes brasileiras entram em campo novamente como as principais candidatas ao título, sustentadas por investimentos contínuos e planejamentos de longo prazo.
Atual tricampeão da competição, o Corinthians sintetiza a fase vitoriosa do futebol praticado no país, que também se prepara para sediar a Copa do Mundo Feminina em 2027. O avanço no cenário nacional ganhou tração em 2019, quando a Confederação Brasileira de Futebol passou a exigir elencos femininos de todas as agremiações que integram as duas principais divisões masculinas, superando as exigências básicas feitas pela Conmebol para copas continentais.
Vantagem financeira e calendário ativo
A força das representantes nacionais também se apoia no aspecto orçamentário. Enquanto equipes de ponta em locais como Argentina, Chile e Colômbia operam com quantias próximas a R$ 2,5 milhões anuais, o Palmeiras trabalha com folhas entre R$ 15 milhões e R$ 25 milhões. Esse poderio permitiu inclusive negociações internacionais expressivas, a exemplo da saída da atacante Amanda Gutierres rumo ao exterior por cerca de US$ 1,1 milhão em 2025.
Outro diferencial é a extensão das competições oficiais ao longo da temporada. As atletas em atividade no futebol brasileiro encontram compromissos em pelo menos nove ou dez meses do ano civil, impulsionados pela presença dos campeonatos estaduais, o que favorece vínculos empregatícios mais duradouros e maior estabilidade técnica em comparação aos rivais sul-americanos.
Dificuldades nos países vizinhos
O cenário do Brasil contrasta com a realidade encontrada em outras praças esportivas da América do Sul, onde a categoria feminina ainda sofre com restrições orçamentárias severas e desorganização logística. Relatos recentes incluem atletas do San Lorenzo precisando de transporte particular para atuar na Argentina e o caso do El Nacional, no Equador, que alinhou somente sete futebolistas em compromisso da liga nacional antes de sofrer o descenso.

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